Fisioterapeuta de Quixadá que espalhou fake news envolvendo vítima da covid-19 vai responder processo administrativo

A prefeitura de Quixadá vai abrir um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o fisioterapeuta Gilmar Barros, que integra o quadro de servidores efetivos do município. A informação foi dada pelo prefeito Ilário Marques, na noite desta segunda-feira (15), em diálogo transmitido ao vivo com o deputado Osmar Baquit, aqui mesmo no DQ.

A abertura do PAD que pode resultar na demissão do fisioterapeuta tem por base a disseminação de fake news envolvendo uma vítima de covid-19. O servidor, que não é médico, não possui habilitação para fazer avaliação clínica de pacientes com suspeita de infecção por coronavírus. Embora fisioterapeutas desempenhem papel importante na promoção da recuperação dos internados em UTI, cabe apenas aos médicos emitir avaliações clínicas que determinem tratamento apropriado para a própria infecção viral.

Ele divulgou e pediu que fosse compartilhado, áudio em que se identifica como empresário e investidor, e no qual afirma ter feito um atendimento a uma senhora que, segundo diz, não tinha sintomas de covid-19. Detalha que, embora sem sintomas, a senhora foi transferida para a Unidade Covid em Quixadá. Alega que a transferência teria ocorrido para que a paciente contraísse o vírus e morresse e, desta forma, a prefeitura recebesse dinheiro do governo federal.

O boato de que as prefeituras recebem dinheiro por cada óbito ocorrido não procede e já foi desmentido, inclusive, pelo próprio governo federal. Gilmar Barros, segundo Ilário Marques, promove uma história falsa que enfraquece a determinação das pessoas de cooperar com as autoridades de saúde, colocando suas vidas em perigo, conduta que a administração pública alega ser incompatível com as exigências éticas inerentes à função do servidor.

O QUE REALMENTE ACONTECEU?

Conforme apuração feita pelo DQ, 4 testes rápidos foram efetuados na paciente. Os resultados foram todos negativos. Vale ressaltar, porém, que testes rápidos só identificam a presença do vírus a partir do oitavo dia do início dos sintomas. Assim, podem ocorrer falsos negativos. No mesmo dia, um teste mais preciso, o teste molecular, também foi feito na paciente, mas a análise da amostra é realizada pelo Laboratório Central do Ceará (Lacen), que demora alguns dias para ficar pronta.

De acordo com o médico Omã Murab, que coordena os serviços de combate ao coronavírus em Quixadá, a paciente apresentava sintomatologia de infecção por coronavírus e a avaliação clínica, que é soberana sobre testes rápidos, apontava para a necessidade de iniciar cuidados imediatos. Esse foi o motivo dela ter sido transferida para a Unidade Covid como caso suspeito e delicado.

Após evolução negativa do quadro clínico, a paciente foi transferida para uma UTI no Hospital Regional. Ali, na manhã do sábado, dia 13, uma dedicada equipe médica tentou salvá-la, mas sem êxito. No mesmo dia, saiu o resultado do exame molecular do Lacen: o médico estava certo em sua avaliação clínica e a paciente, de fato, estava infectada com coronavírus.

Na avaliação da prefeitura de Quixadá, o áudio divulgado por Gilmar Barros não apenas estava errado, como causou constrangimento à administração pública, da qual ele faz parte; desrespeitou a família da vítima, prejudicou o combate à pandemia e afetou a boa reputação dos profissionais de saúde. Estes estão tentando salvar vidas, não matar pessoas em uma suposta troca por dinheiro para a prefeitura, coisa que não existe. Ilário Marques definiu a conduta em uma palavra: “Criminosa!”

Na avaliação de especialistas, informações falsas confundem a população e ameaçam as tentativas de controle da epidemia. O compartilhamento delas agrava os impactos da pandemia por transmitir insegurança à população e, com isso, impactar negativamente a saúde pública. Recentemente, o governo do Ceará sancionou uma lei contra as fake news e estabeleceu multa de até R$ 2 mil para quem divulgá-las.

Diário de Quixadá

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